Chico Ludermir lança A história incompleta de Brenda e de outras mulheres

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Na quinta-feira (1), às 19h, o Auditório Cícero Dias recebe o lançamento do livro A história incompleta de Brenda e de outras mulheres, de Chico Ludermir. O trabalho, editado pela Confraria do Vento, é fruto de três anos de construção ao lado de onze mulheres trans e travestis recifenses que têm suas histórias contadas a partir de seus próprios relatos. Junto das narrativas, Ludermir acrescenta um ensaio fotográfico de cada uma das personagens, retratando, com beleza, cenas cotidianas de vidas pouco vistas. A cartunista Laerte participa com um cartum inédito feito especialmente para a obra.

Luciana, com mais de 60 anos, rememora os tempos da Ditadura Militar, quando foi presa por “vadiagem” e torturada diversas vezes por policiais; Anne, aos 16, estudando em um dos colégios mais caros da cidade, foi empurrada escada abaixo por ser diferente dos colegas. Não foi expulsa de casa, como Franncine, mas perdeu o carinho do pai que deixou de lhe visitar; Christiane está casada há quase 25 anos, mesmo assim, trabalhou em cada cabaré da Itália, Suíça e Espanha; Rayanne, é evangélica e encontrou uma igreja onde é aceita do jeito que é; Brenda, que dá nome ao livro, abandonou sua carreira militar para poder renascer. E assim o fez com dor e coragem.

As histórias dessas mulheres trans e travestis e também as de Luana, Deusa, Mariana, Maria Clara e Wanessa revelam a potência dessas vidas estigmatizadas e propõem uma forma de representação humana e afirmativa. Reverbera os gritos de resistência diários de um grupo estigmatizado e violentada diariamente, no país que mais mata mulheres trans e travestis do mundo.

Para Maria Clara Araújo, travesti militante que assina a orelha e o prefácio da publicação, os contos transmitem o que é ser mulher trans e travesti numa sociedade brasileira que as lê como gente de segunda classe. “Percebemos a importância simbólica de contar essas narrativas, do reconhecimento delas, da sua publicação e da possibilidade de lê-­las. Só será assim que conseguiremos visibilizar e/ou colocar em discussão as vivências abjetas”, afirma.

Chico Ludermir, que publica seu terceiro livro, traz na bagagem trabalhos engajados e militantes (Coque Vive/(R)existe, Movimento Ocupe Estelita) tanto na literatura como nas artes visuais. A pesquisa iniciada em 2013 a convite do Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade de Pernambuco (Nisc-Upe) e financiada pelo Ministério da Cultura, já resultou em uma exposição realizada pela Fundação Joaquim Nabuco, com curadoria de Moacir dos Anjos e numa série de vídeos, um deles, Luciana, premiado com a menção honrosa no Recifest (Festival de Cinema da Diversidade), em 2015. 

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