Entrevista: André Dahmer

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André Dahmer nasceu no Rio de Janeiro, em 1974. Cartunista, o carioca é responsável pelas tirinhas do Malvados, publicadas em veículos como Piauí, G1, Folha de São Paulo e Caros Amigos. Entre os seus personagens, está Emir Saad, um ditador sádico, egocêntrico que controla e tortura o reino do Ziniguistão e séries como Apóstolos e Cidade do medo. No sábado, 3 de dezembro, Dahmer estará na nossa programação em conversa com a jornalista Carol Almeida. O tema é: como transformar em imagens os conflitos da sociedade? Nessa entrevista, o cartunista fala sobre seu contato com o desenho, com a poesia e a relação entre as tirinhas e o nosso contemporâneo político.

 1. Como e quando você começou a desenhar?

Comecei a desenhar na mesma época que você e todas as outras pessoas. Vocês pararam quando a grade curricular da escola achou mais importante o estudo da física ou do inglês. Eu segui em frente com o desenho porque médicos me tomaram como um garoto que tinha problemas de ordem cognitiva, o que é mentira. A casualidade e um erro de diagnóstico me levaram ao estudo do desenho, prática pela qual me apaixonei de maneira irreversível. Tive essa sorte.

2. Você também escreve poesia. De que forma o quadrinho e a poesia dialogam na tua produção?

Fazer poesia é como trabalhar com quadrinhos ou música: não há qualquer diferença significativa. Tudo é matéria para expurgar as coisas do mundo interior. O mundo interior é grande, não sei como a maioria das pessoas suporta a vida sem um caderno de desenhos ou um violão. A indústria farmacêutica agradece.

3. As tirinhas têm uma recepção e reações imediatas. De que forma o nosso momento político está contribuindo para esses debates e o comportamento dos leitores?

O Brasil passa por um grande estorvo, é bem verdade. Porém, já passamos por tantos outros. A construção e a destruição são cíclicas, nada disso é particularidade da política. Por isso mesmo, a luta é permanente. Meus avós lutaram, meus pais lutaram, eu luto. Minhas filhas se prepararão para lutar.

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