Eliane Brum suspende sua participação na Semana do Livro

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COMUNICADO
Informamos que, infelizmente, a convidada Eliane Brum não poderá comparecer durante a nossa programação. Todas as nossas outras atividades ocorrem normalmente e estão confirmadas. Segue o informe enviado pela Arquipélago Editorial, editora da jornalista:

“Em nome de nossa autora Eliane Brum, informamos que, por questões de saúde ela não poderá comparecer ao encontro Sobre como pensar o jornalismo em 2016, da Semana do Livro de Pernambuco, que se realizaria às 16h desta quinta-feira (1). Eliane Brum pede profundas desculpas pela ausência, assim como pelos transtornos causados à organização e ao público”.

Valsa, carimbó e baião com o Cacuriá de Dona Teté

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Atualmente com 32 dançarinos, caixeiras, cavaquinho, violão, flauta e efeitos percussivos, o Cacuriá de D. Teté apresenta um espetáculo dinâmico, ao som dos ritmos de carimbó, caroço, valsa e baião inspirado no carimbó de caixeiras. As músicas do espetáculo são de autoria de D. Teté, Rosa Reis, Cecé Ferreira, Dona Roxa, Camila Reis e de domínio popular.

As coreografias são criadas a partir dos movimentos dos pássaros e animais destacados nas letras das músicas, inspirada nas brincadeiras tradicionais. O figurino de Cláudio Vasconcelos e adaptações do grupo Laborarte remetem as indumentárias e adereços dos festeiros do divino Espírito Santo. O grupo faz parte da nossa programação na quinta-feira (1); a apresentação acontece no palco da área externa, às 18h45.

O histórico

O Cacuriá de Dona Teté foi criado pelo grupo Laborarte em 1986, tendo a frente a rezadeira e caixeira da festa do Divino Espírito Santo, Almerice da Silva Santos, Dona Teté. Hoje, o Cacuriá de Dona Teté é referência para os outros grupos de cacuriá no Maranhão, além de ser reconhecido nacionalmente como um expoente das manifestações tradicionais brasileiras.

O Cacuriá

O Cacuriá é uma dança tipicamente maranhense com influências da Festa do Divino Espírito Santo. A dança foi inventada por Seu Lauro, no ano de 1973, mestre popular que organizava vários de tipos de manifestações populares, como a Festa do Divino, Bumba-meu boi, Baião Cruzado e outros.

Dona Teté

 

Almerice da Silva Santos, conhecida como D. Teté, foi responsável por tornar o Cacuriá um dos símbolos da identidade cultural do Maranhão. No ano de 2006 D. Teté foi reconhecida por seus feitos na cultura popular com a premiação da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República, a maior honraria no setor da cultura.

Dona Teté faleceu em dezembro de 2011, mas sua estória continua viva na memória do povo maranhense  representada pelo Laborarte. No grupo, contemporâneas de Dona Teté, como Rosa Reis e Cecé Ferreira continuam mantendo as tradições.

Entrevista: Eliane Brum

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Eliane Brum é jornalista, escritora e documentarista. Nasceu na cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul. Como repórter, trabalhou no jornal Zero Hora, de Porto Alegre e na Revista Época. Desde 2010, autua como freelancer. Hoje, escreve artigos para os jornais El País e The Guardian. Publicou seis livros – cinco de não ficção e um romance -, além de participar de coletâneas de crônicas, contos e ensaios. Na quinta-feira (1), às 16h, a jornalista conversa com o nosso curador, Schneider Carpeggiani, sobre como podemos pensar o jornalismo em 2016. Confira um teaser do painel nesta breve entrevista:

 

1. Como você analisa a crise que atinge a estrutura na qual está posto o jornalismo contemporâneo?

Acredito profundamente na importância do jornalismo. Mas é preciso lembrar que o que faz o jornalismo diferente de todas as outras narrativas é a reportagem. E reportagem se faz com investigação exaustiva, com checagem rigorosa, com precisão quase paranoica. É algo muito trabalhoso, em geral caro. A crise – ou as crises – vividas pelo Brasil nos últimos anos mostraram como a reportagem é fundamental para uma democracia. Infelizmente, isso ficou evidente mais pela falta de reportagem do que pela sua presença. A imprensa que é adjetivada como “tradicional”, por uma série de fatores, hoje faz pouca reportagem. E a imprensa que se adjetiva como “independente” é muito pequena para cobrir essa lacuna. O resultado é que, num momento tão fascinante da história humana, vários Brasis, vários mundos não estão sendo documentados pela reportagem. E a tristeza é que apenas uma minoria parece perceber a enormidade dessa falta. Há tanto barulho nas redes sociais, tanta bobagem ou mesmo falsificação travestida de informação, que uma parte da população se ilude que está sendo bem informada. Não está. Nesta mesma linha, cada vez que uma matéria de jornal fica mais parecida com um post no Facebook do que com uma reportagem, todos perdemos, e não só a imprensa. Infelizmente, parece que a maioria ainda não entendeu o buraco que a falta de jornalismo, a falta de reportagem, representa na vida coletiva, na vida de cada um. A gente precisa acordar e se juntar às pessoas que estão pensando com seriedade sobre como fazer jornalismo que mereça esse nome neste momento histórico. A reportagem, como documentação do hoje, da história em movimento, é insubstituível. E sua falta, irreparável.

2. De que maneira você avalia, hoje, a relação mídia de massa versus mídia independente/redes sociais?

Não acredito no “versus”. Como repórter, meu percurso é sempre o de duvidar das generalizações. Acho que as coisas são mais complexas. No que se refere ao jornalismo, há bons espaços e bons profissionais no que se chama “mídia de massa”. Bem menos do que deveria, mas existem. Caco Barcellos e o Profissão Repórter, por exemplo, são exemplos de um excelente repórter fazendo um programa importante, tanto por fazer reportagem como por formar repórteres, algo hoje cada vez mais raro. E há gente se apresentando como “mídia independente”, mas o que faz nem passa perto do jornalismo. Tem que olhar para quem está de fato fazendo reportagem. Há ótimos exemplos tanto na “mídia tradicional” como na “mídia independente”. Infelizmente, ótimos mas poucos. Acho que é preciso ver onde estão as oposições de fato. Este cipoal também precisa de reportagem para ser destrinchado.

Entrevista: André Dahmer

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André Dahmer nasceu no Rio de Janeiro, em 1974. Cartunista, o carioca é responsável pelas tirinhas do Malvados, publicadas em veículos como Piauí, G1, Folha de São Paulo e Caros Amigos. Entre os seus personagens, está Emir Saad, um ditador sádico, egocêntrico que controla e tortura o reino do Ziniguistão e séries como Apóstolos e Cidade do medo. No sábado, 3 de dezembro, Dahmer estará na nossa programação em conversa com a jornalista Carol Almeida. O tema é: como transformar em imagens os conflitos da sociedade? Nessa entrevista, o cartunista fala sobre seu contato com o desenho, com a poesia e a relação entre as tirinhas e o nosso contemporâneo político.

 1. Como e quando você começou a desenhar?

Comecei a desenhar na mesma época que você e todas as outras pessoas. Vocês pararam quando a grade curricular da escola achou mais importante o estudo da física ou do inglês. Eu segui em frente com o desenho porque médicos me tomaram como um garoto que tinha problemas de ordem cognitiva, o que é mentira. A casualidade e um erro de diagnóstico me levaram ao estudo do desenho, prática pela qual me apaixonei de maneira irreversível. Tive essa sorte.

2. Você também escreve poesia. De que forma o quadrinho e a poesia dialogam na tua produção?

Fazer poesia é como trabalhar com quadrinhos ou música: não há qualquer diferença significativa. Tudo é matéria para expurgar as coisas do mundo interior. O mundo interior é grande, não sei como a maioria das pessoas suporta a vida sem um caderno de desenhos ou um violão. A indústria farmacêutica agradece.

3. As tirinhas têm uma recepção e reações imediatas. De que forma o nosso momento político está contribuindo para esses debates e o comportamento dos leitores?

O Brasil passa por um grande estorvo, é bem verdade. Porém, já passamos por tantos outros. A construção e a destruição são cíclicas, nada disso é particularidade da política. Por isso mesmo, a luta é permanente. Meus avós lutaram, meus pais lutaram, eu luto. Minhas filhas se prepararão para lutar.

Chico Ludermir lança A história incompleta de Brenda e de outras mulheres

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Na quinta-feira (1), às 19h, o Auditório Cícero Dias recebe o lançamento do livro A história incompleta de Brenda e de outras mulheres, de Chico Ludermir. O trabalho, editado pela Confraria do Vento, é fruto de três anos de construção ao lado de onze mulheres trans e travestis recifenses que têm suas histórias contadas a partir de seus próprios relatos. Junto das narrativas, Ludermir acrescenta um ensaio fotográfico de cada uma das personagens, retratando, com beleza, cenas cotidianas de vidas pouco vistas. A cartunista Laerte participa com um cartum inédito feito especialmente para a obra.

Luciana, com mais de 60 anos, rememora os tempos da Ditadura Militar, quando foi presa por “vadiagem” e torturada diversas vezes por policiais; Anne, aos 16, estudando em um dos colégios mais caros da cidade, foi empurrada escada abaixo por ser diferente dos colegas. Não foi expulsa de casa, como Franncine, mas perdeu o carinho do pai que deixou de lhe visitar; Christiane está casada há quase 25 anos, mesmo assim, trabalhou em cada cabaré da Itália, Suíça e Espanha; Rayanne, é evangélica e encontrou uma igreja onde é aceita do jeito que é; Brenda, que dá nome ao livro, abandonou sua carreira militar para poder renascer. E assim o fez com dor e coragem.

As histórias dessas mulheres trans e travestis e também as de Luana, Deusa, Mariana, Maria Clara e Wanessa revelam a potência dessas vidas estigmatizadas e propõem uma forma de representação humana e afirmativa. Reverbera os gritos de resistência diários de um grupo estigmatizado e violentada diariamente, no país que mais mata mulheres trans e travestis do mundo.

Para Maria Clara Araújo, travesti militante que assina a orelha e o prefácio da publicação, os contos transmitem o que é ser mulher trans e travesti numa sociedade brasileira que as lê como gente de segunda classe. “Percebemos a importância simbólica de contar essas narrativas, do reconhecimento delas, da sua publicação e da possibilidade de lê-­las. Só será assim que conseguiremos visibilizar e/ou colocar em discussão as vivências abjetas”, afirma.

Chico Ludermir, que publica seu terceiro livro, traz na bagagem trabalhos engajados e militantes (Coque Vive/(R)existe, Movimento Ocupe Estelita) tanto na literatura como nas artes visuais. A pesquisa iniciada em 2013 a convite do Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade de Pernambuco (Nisc-Upe) e financiada pelo Ministério da Cultura, já resultou em uma exposição realizada pela Fundação Joaquim Nabuco, com curadoria de Moacir dos Anjos e numa série de vídeos, um deles, Luciana, premiado com a menção honrosa no Recifest (Festival de Cinema da Diversidade), em 2015. 

Grupo Magiluth revisita performance na Semana do Livro

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O Grupo Magiluth volta a mergulhar em suas intervenções urbanas com o título de Obreiros. Os ciclos de performances que aconteceram em 2013 retornam ao público em caráter especial para a nossa programação. A partir das ações artísticas, o grupo busca provocar reflexões sobre questões contemporâneas. Homens vestidos de trabalhadores da construção civil misturam-se ao cotidiano da cidade para construir uma Obra. Dessa intervenção, nascem as provocações ao cotidiano da cidade. O Grupo Magiluth faz parte da nossa abertura, no dia 30 de novembro (quarta-feira). A apresentação acontece às 20h.  Confira a galeria de imagens de Obreiros:

Sertão do Pajeú no palco da Semana do Livro

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O Em canto e poesia é de São José do Egito – Sertão do Pajeú, terra conhecida como berço da cantoria de viola, dos poetas repentistas. O grupo, formado pelos três netos de Lourival Batista ou Louro do Pajeú, um dos grandes nomes da cantoria brasileira, apresenta-se no nosso palco externo, às 20h, no dia 1 de dezembro (quinta-feira).

Os irmãos Antonio, Greg e Miguel Marinho trazem uma junção das matrizes tradicionais do repente de sua terra natal associada a composições autorais. Conheça um pouco do Em canto e poesia:

Isaar e Maciel Salú celebram a obra de Ascenso Ferreira

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O poeta modernista Ascenso Ferreira será lembrado durante apresentação de Isaar e Maciel Salú que acontece na sexta-feira (2/12), às 20h, no nosso palco externo. A poesia do pernambucano e suas características regionais será declamada e infiltrada nas músicas do repertório de cada um. A entrada é gratuita.

Denominado Maciel Salú e Isaar França reincorporam Ascenso – Intervenção musical e poética, o projeto foi apresentado na X Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, no dia 04 de outubro de 2015. Nesta apresentação, Maciel e Isaar são acompanhados por Aishá Lourenço (percussão) e Ricardo Rama (violão). Confira o vídeo:

A poesia de Ascenso Ferreira:

Filosofia

Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!

Hora de trabalhar?
— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

Maracatu

Zabumba de bombos,
Estouro de bombas,
Batuques de ingonos,
Cantigas de banzo,
Rangir de ganzás…

— Luanda, Luanda, onde estás?
Luanda, Luanda, onde estás?

As luas crescentes
De espelhos luzentes,
Colares e pentes,
Queixares e dentes
De maracajás…

— Luanda, Luanda, onde estás?
Luanda, Luanda, onde estás?

A balsa do rio
Cai no corrupio
Faz passo macio,
Mas toma desvio
Que nunca sonhou…

— Luanda, Luanda, onde estou?
Luanda, Luanda, onde estou?

Silvério Pessoa lança livro sobre religiosidade popular

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O músico e pesquisador Silvério Pessoa participa da Semana do Livro no sábado (3/12) com o lançamento de Religiosidade Popular — França e Pernambuco: Diálogos, Expressões e Conexões (Fonte Editorial). O livro é o resultado de um estudo comparativo entre as expressões da religiosidade popular pesquisadas entre o Sul da França (Occitânia) e o Nordeste do Brasil (Pernambuco). Ao longo de dois anos de viagens, fotos, filmes, leituras e entrevistas, foi construída, por Pessoa, uma nova visão das devoções populares estudadas no campo das ciências da religião. O autor realizou, paralelamente aos seus estudos na França, um encontro musical unindo as duas culturas, descortinando pontos de semelhanças significantes.

O livro mantém a estrutura de uma pesquisa acadêmica e culmina com as análises sobre a religião das fontes e da saúde, religião das peregrinações e procissões, religião do fogo e das festas, religião dos santos e da salvação. A proposta do autor é despertar uma inquietação sobre a resistência que as práticas populares realizam diante da globalização entre dois continentes tão distantes e, ao mesmo tempo, tão conectados pela religiosidade.

Para pensar as ocupações

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Nas últimas semanas, acompanhamos diversas ocupações de escolas e universidades brasileiras. Durante a nossa programação, iremos discutir o espaço da universidade pública como campo de disputa política. A conversa contará com a participação de Maria Eduarda Rocha, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Yvana Fechine, professora do Departamento de Comunicação Social da UFPE; Chico Ludermir, jornalista e mestrando em Sociologia; Dandara Luísa Alves, integrante do laboratório de Estudos em Sexualidade Humana. A professora Maria Eduarda Rocha escolheu algumas obras que podem ajudar a pensar este momento político, educacional e social que estamos vivendo. Confira:

Aos nossos amigos – Crise e Insurreição (2016). Comitê Invisível. São Paulo, n-1 edições.

Que crise é esta que já se arrasta há anos, que migra e ressurge cada vez com um nome ou motivo diferentes? Que insurreições são estas que tomam as ruas? Quem são estes que já não toleram mais os impasses do presente? Numa análise provocativa e instigante, o Comitê Invisível — grupo anônimo de pensadores e ativistas sediados na França — convoca a todos para pensar sobre o caráter movediço do poder na atualidade e sua complexa rede de infraestruturas.

Cidades Rebeldes (2013). São Paulo: Boitempo, Carta Maior.

Participam dessa coletânea autores nacionais e internacionais, como Slavoj Zizek, David Harvey, Mike Davis, Raquel Rolnik, Ermínia Maricato, Jorge Souto Maior, Mauro Iasi, Silvia Viana, Ruy Braga, Lincoln Secco, Leonardo Sakamoto, João Alexandre Peschanski, Carlos Vainer, Venício A. de Lima, Felipe Brito e Pedro Rocha de Oliveira. Paulo Arantes e Roberto Schwarz assinam os textos da quarta capa. Além de analisar a conjuntura política e social, o livro pretende contribuir com o debate iniciado pelo Movimento Passe Livre (MPL) – que também participará com um artigo -, ajudando a consolidar suas bases teóricas e práticas. Os principais temas abordados são o direito ao transporte público e à cidade, a violência nas manifestações, partidarismo, luta política e democracia.

 

Occupy – movimentos de protesto que tomaram as ruas (2012). São Paulo: Boitempo, Carta Maior.

A memória coletiva marcará 2011 como o ano em que as pessoas tomaram as ruas de diversos países em uma onda de mobilizações e protestos sociais: um fenômeno que começou no norte da África, derrubando ditaduras na Tunísia, no Egito, na Líbia e no Iêmen; estendeu-se à Europa, com ocupações e greves na Espanha e Grécia e revolta nos subúrbios de Londres; eclodiu no Chile e ocupou Wall Street, nos EUA, alcançando no final do ano até mesmo a Rússia. Das praças ocupadas por acampamentos às marchas de protesto nas avenidas das principais metrópoles, emergiu uma consciência de solidariedade mútua que resultou em toda sorte de material multimídia sobre o movimento na internet, amplamente compartilhado nas redes sociais.